TEORIA DAS VANTAGENS COMPARATIVAS.


As transações comerciais não são realizadas apenas entre agentes econômicos de um mesmo país. Um volume considerável de negócios envolve agentes de países diferentes.

Quando se pensa em termos de comércio internacional, surgem duas questões:

  1. O motivo pelo qual os países comercializam entre si, apesar das dificuldades decorrentes das diferentes moedas e das longas distâncias que os separam.
  2. À forma como são escolhidos os bens e serviços que farão parte do fluxo de mercadorias do comércio internacional. Em outras palavras, é preciso saber, por exemplo, por que o Brasil exporta produtos agrícolas e manufaturados enquanto importa máquinas e equipamentos pesados.

As respostas para essas questões estão na teoria das vantagens comparativas, elaborada por Adam Smith e posteriormente aperfeiçoada por David Ricardo, economistas ingleses que viveram no século XVIII e XIX, respectivamente. Essa teoria parte do princípio de que os países que comercializam entre si aumentam o nível de seu bem estar social. A Teoria das Vantagens Comparativas explica:

Por exemplo, o Brasil e a Suíça. Imaginamos que em cada país são produzidos apenas dois bens: café e relógios. No caso do Brasil, se as pessoas resolvessem produzir apenas café, seria possível produzir 36 mil sacas de café. Conseqüentemente, nenhum relógio seria produzido, pois todos os fatores produtivos estariam empregados na produção de café. Por outro lado, se o Brasil decidisse produzir apenas relógios, seria possível produzir 72 mil relógios, pelas mesmas razões.

A Suíça seria viável produzir 24 mil sacas de café nesse país se não fosse produzido nenhum relógio, ou 96 mil relógios, se não fosse produzido nenhuma saca de café. O quadro A resume as possibilidades de produção dos dois bens, café e relógios, para o Brasil e para Suíça.

Quadro A – Produção mensal de café ou de relógios no Brasil e na Suíça.

PRODUTO

PAÍS 

CAFÉ 

RELÓGIOS 

Brasil 

36 mil sacas 

ou 72 mil 

Suíça

24 mil sacas 

ou 96 mil 

 

Entretanto, esses países gostariam de consumir os dois bens (relógios e café) e, portanto, gostariam de produzir café e relógios, Se o Brasil e a Suíça alocassem parte de seus recursos na produção de relógios e o restante na produção de café, a situação ficaria como mostra o quadro B: o Brasil produziria 18 mil sacas de café e 36 mil relógios, enquanto a Suíça produziria 12 mil sacas de café e 48 mil relógios.

Quadro B – Produção mensal de café e de relógios no Brasil e na Suíça

PRODUTO

PAÍS 

CAFÉ 

RELÓGIOS 

Brasil

18 mil sacas 

e 36 mil 

Suíça

12 mil sacas 

e 48 mil 

Total 

30 mil sacas 

84 mil 

 

No final do quadro, teremos um total que indica que os dois países, sem comercializarem, produziriam juntos 30 mil sacas de café e 84 mil relógios por mês.

Como pode ser observado, o Brasil teria vantagens na produção de café, pois produziria 36 mil sacas, contra 24 mil sacas da Suíça. Por outro lado, a Suíça teria vantagem na produção de relógios, pois poderia produzir 96 mil relógios, enquanto o Brasil produziria apenas 72 mil relógios.

Imaginemos, agora, que esses dois países se especializassem na produção dos bens nos quais levam vantagem. Dessa forma, o Brasil produziria 36 mil sacas de café e nenhum relógio. A Suíça por sua vez, produziria 96 mil relógios e nenhuma saca de café. Esta situação esta representada no Quadro C, em que mais uma vez temos o total de relógios e de café produzidos pelos dois países.

Quadro C – Produção mensal de café e de relógios no Brasil e na Suíça com especialização.

PRODUTO

PAÍS 

CAFÉ 

RELÓGIOS

Brasil 

36 mil sacas 

- 

Suíça 

- 

96 mil 

Total 

36 mil sacas 

96 mil 

 

Como podemos observar agora, Brasil e Suíça produzem 36 mil sacas de café e 96 mil relógios, respectivamente, quantidades superiores as verificadas no Quadro B, quando os dois países produziam os dois bens ao mesmo tempo.

Podemos concluir que a especialização aumentou a produção de café no Brasil e de relógios na Suíça. O bem estar aumentaria para os dois países se eles comercializassem esses produtos, ou seja, se o Brasil trocasse seu café pelos relógios da Suíça.

Então já podemos estabelecer, com maiores detalhes, as bases da teoria das Vantagens Comparativas. Como vimos, ela diz inicialmente que o nível de bem estar dos países envolvidos no comércio internacional se eleva. Isso acontece quando os países se especializam na produção dos bens em que possuem vantagens comparativas e trocam esses bens pelos produzidos em outros países.

A essência da Teoria das Vantagens Comparativas está relacionada com a produtividade dos fatores de produção que cada país possui as suas condições de clima, a disponibilidade de recursos naturais entre outros. Do ponto de vista econômico, a produtividade é o mais importante, pois maior produtividade resulta em custos de produção menores. Por essa razão, a Teoria das Vantagens Comparativas também é conhecida como Teoria dos Custos Comparativos. Assim, é fácil perceber que o Brasil leva vantagem sobre a Suíça na produção de café, pois o clima brasileiro é favorável a essa cultura e temos grandes extensões de terra, o que não acontece na Suíça. No entanto a Suíça possui uma larga tradição na fabricação de relógios e desenvolveu uma tecnologia própria, que o Brasil não tem. Em síntese, é relativamente mais barato produzir café no Brasil que relógio, e o custo de fabricar relógios na Suíça é menor do que o custo de produzir café.

É preciso observar que o exemplo hipotético utilizado para explicar a Teoria das Vantagens Comparativas é extremamente simples, não correspondendo à realidade. Um país não se especializa totalmente na produção de um único bem e nem produz e consome apenas dois bens, mas uma infinidade deles.

A Teoria das Vantagens Comparativas não deve ser seguida como justificativas para medidas de política econômica, pois ao longo prazo o bem estar da população dos países que tem vantagens comparativas na produção de produtos agrícolas tende a diminuir.

 

BIBLIOGRAFIA

PASSOS, Carlos Roberto Martins e NOGAMI, Otto. Princípios de Economia. São Paulo : Pioneira, 2001.

VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de e GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos de Economia. São Paulo : Saraiva, 2000.

ROSSETI, José Paschoal. Introdução à Economia. 18. ed., São Paulo : Atlas, 2000.

SOUZA, Nali de Jesus de. (org.). Introdução à Economia. São Paulo : Atlas, 1996.

TROSTER, Roberto Luis e MORCILLO, Francisco Mochón. Introdução à Economia. São Paulo : Makron Books, 1999.

VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Economia – Micro e Macro, São Paulo : Atlas, 2000.

WONNACOTT, P.& WONNACOTT, R. Economia. São Paulo : Makron Books, 1994.

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